|
|
July 20 Ai daquele que, num desafio suicida, tenta individualizar-se”.
“O mundo só pode ser dos que têm razão. Mas a razão é todo um maravilhoso esforço, toda uma dilacerada paciência, toda uma santidade conquistada, toda uma desesperada lucidez”.
“Dá-me um certo cansaço, um certo tédio, ouvir que sou contra o jovem. Não sou contra ou a favor de ninguém, automaticamente. Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades. Naturalmente, o jovem tem o defeito salubérrimo da imaturidade”.
“Naquele momento instalou-se em mim uma certeza para sempre: a Opinião Pública é uma doente mental”.
“Eu sofro pressões incríveis. Todo mundo, a comunidade, exige que sejamos imbecis”
“A verdadeira apoteose é a vaia. Os admiradores corrompem”.
“A peça para rir, com essa destinação específica, é tão obscena e idiota como o seria uma missa cômica”.
“A única coisa que me mantém de pé é a certeza da alma imortal. Eu me recuso a reduzir o ser humano à melancolia do cachorro atropelado”.
“A análise de grupo é indesculpável. É a liquidação da mercadoria”.
“O trágico na amizade é o dilacerado abismo da convivência”.
“Não acredito no teatro de denúncia porque acho meio esdrúxulo o autor, que manda nos personagens, que cria situações, injetar o próprio sentimento nos pobres-diabos que ele manipula”.
“O sujeito que lê ou ouve um esquerdista, leu e ouviu todos os esquerdistas”.
“Eu considero a ONU uma delinqüente da pior espécie”.
“A grande tragédia da carne começou quando o homem separou o sexo do amor. Como não somos vira-latas, nem urramos no bosque, o sexo sem amor é um progressivo suicídio”.
“Na minha obra está clara, transparente, uma violenta nostalgia da pureza”.
“Os ‘compreensivos’ frustram a juventude em sua rebeldia”.
“A mulher não é inferior ao homem. Só o fato de ser mãe a torna superior. A mulher só se inferioriza quando, para imitar o homem, começa a dizer palavrões”.
“Só acredito em Deus. É algo de tão vivo, de visível, tangível, algo que podemos beijar”.
“A olho nu, qualquer um percebe a ascensão social, econômica, política do idiota. Outro dia, passou por mim um automóvel das Mil e Uma Noites, sim, um desses Mercedes irreais, com cascata artificial e filhote de jacaré. Lá dentro, ia um idiota flamejante”.
“Esse mundo absolutamente nivelado, não seria justo. Porque o melhor, o mais inteligente, o mais capaz, merece mais. Deve ganhar mais. Agora deve haver o mínimo compatível com a dignidade humana, para todos, rigorosamente para todos”.
“Nós sabemos que o sujeito mais livre do mundo é o leitor. Nada interfere no pudor, na exclusividade e na inocência de sua relação com a obra escrita. Está só, espantosamente só, com o soneto, o romance, o texto dramático. Já o espectador é o mais comprometido dos seres”.
“Daqui a duzentos anos, os historiadores vão chamar este final de século de a mais cínica das épocas”.
“A burrice, nós sabemos, é um tipo de loucura dos mais desvairantes”.
“É impraticável a discussão política nobre. Sempre que pensa politicamente, o sujeito se desumaniza e desumaniza os problemas”.
“Uma virtude do desenvolvido que desponta no brasileiro é o hábito do psicanalista. Sabe-se que a angústia é, se me permitem a metáfora, a flor do lazer, a jóia da ociosidade. Para ser um bom neurótico, o sujeito precisa de tempo e, além disso e obviamente, dinheiro”.
“Veja o Brasil. Isso estava caminhando para uma fulminante cubanização. E, então, os militares tiveram uma função histórica... Isso aqui ia virar o caos, ia ser um mar de sangue”.
“Não sei se vale a pena viver num mundo que só sabe odiar. Mundo que está sofrendo uma monstruosa e espantosa castração espiritual”.
“Eu acho que o jovem só pode ser levado a sério quando fica velho”.
“Se o homem não fosse eterno ou não tivesse uma alma eterna, não tivesse garantido a sua eternidade, esse homem andaria de quatro. Toda manhã saía de quatro, ferrado, aí pela rua, e montado por um dragão de Pedro Américo”.
Oiii galera ,a Kassie tah de volta ...
olha só esse poema de Fernando Pessoa,que lindo!! traduz tudo o que uma pessoa precisa entender quando se está apaixonado(a)
Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.
GOSTARAM?? eu sabia !!bjus pro ceis i inté
FELICIDADE REALISTA
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza... Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. July 06
Ela era vestida de luz, mais ou menos como Nossa Senhora, se me permitem a comparação algo blasfema. Uma luz tão intensa que o fazia baixar a vista quando ela se aproximava. Mesmo atos completamente banais dela (tipo responder à chamada ou beber água) eram vistos por ele como algo sublime. Era seu ídolo, sua paixão.
Os amores platônicos não têm nada de bonito. São frutos de uma vaidade tão monstruosa que não cabe numa pessoa só: tem-se que projetar toda a perfeição que se pensa que se é em alguma adolescentezinha colega de colégio.
Mas ele não sabia de nada disso e se soubesse não lhe importaria. A paixão fora instantânea: ele recém-chegado, ela aluna veterana. Nos primeiros dias, a aula foi dispensada para passar um dia em Corrêas para "a turma se integrar melhor". Ele não foi, sua timidez não o deixou ir.
Dia seguinte, alguém se vira: era ela. Falou com ele. Pergunta banal: Como foi lá em Corrêas? Ele balbucia algo. Ela sorri. É como o sorriso de Beatriz a Dante no Paraíso: tão belo que ofusca, mal dá para olhar.
O lugar dele na classe é na mesma fileira dela, a exatas três pessoas de distância à direita dela. Ela, como toda favorita (ou vítima) de paixão platônica era jovem, bela, articulada, cheia de amigas. Ele tinha como companhia os livros (todas as paixões platônicas são iguais). Ele sofria com as notas dela (não muito boas, na verdade), prestava atenção nela durante as aulas, seguia-a discretamente a uma distância segura nos recreios, observava-a de longe nos seus grupinhos de amigas.
Ele descobriu o endereço dela. Não era longe do colégio, e como diz o Adso d'O "Nome da Rosa", é um endereço que a caridade e principalmente a prudência aconselham a não revelar. Ele passou a rondar o apartamento dela. Pesquisou seus hábitos, descobriu seu telefone.
Finalmente planejou o seu lance mais ousado: faria uma pequena mudança no seu percurso para pegar o ônibus, e assim seu caminho coincidiria em parte com o que ela fazia para ir para casa. É claro, teria de andar uns dez quarteirões a mais, mas o que é isso para quem tem dezessete anos?
Ele a esperou escondido na entrada da rua Dona Mariana. Ela saiu, ou melhor, quase saiu, ficou conversando com uma amiga. Ela ria, gesticulava, a outra, mera pajem da rainha, gesticulava e ria também. Parecia que iam se despedir, mas voltavam, uma dizia algo que fazia a outra gargalhar, sorriam, demoravam. Como alguém pode ter tanto assunto com apenas dezesseis ou dezessete anos de vida?
Finalmente ela saiu. Prancheta agarrada (naquela época se usavam pranchetas, e a marca da feminilidade era usar a prancheta agarrada na frente, como que protegendo a própria decência). Ela usava um casaco que ele lembraria por décadas e seria capaz de dizer sua espessura, a textura, o padrão de listas coloridas horizontais.
Ele a alcançou. Oi. Oi. Você também vai por aqui? Vou. Continuam a andar. Falta assunto. Esperam o sinal da São Clemente. Ela se volta, sorri para ele. O mesmo sorriso ofuscante. Ele gostaria de fazer um discurso apaixonado, tipo Tristão e Isolda. Não sai nada, a garganta trava. O sinal abre. Continuam. Carros embeiçados na rua atrapalhando a caminhada. Gostou da aula? Gostei. Professor legal aquele, não? Não sei, ele me deu um quatro - e ela fica séria ao dizer isso. Ele tem vontade de desaparecer, sumir para o Pólo Norte.
Continuam. A rua onde ela mora está cada vez mais perto. O sol abre, meio dia. Ele precisa dizer algo, algo significativo. O tempo encurta. Engole em seco. Ele se resolve, abre a boca: Você pretende casar no futuro? Ela o olha surpresa. Já que desatou a língua, ele continua: ter filhos? Ela arregala um pouquinho os olhos, de um modo que ele não esqueceria. Acho que é o caminho natural, não? - diz ela.
Chegam à esquina da grande rua. Tem de se separar dela, senão ela desconfiará. Tchau. Tchau. Até Amanhã. Ele não responde, a resposta ficou na garganta. A calça azul colégio, o casaco de faixas coloridas, a prancheta sobre o busto, ela se afasta.
Foi o momento mais íntimo deles. Pouco depois a família dela se mudou para um bairro melhor, bem distante (parecia que estavam em plena ascensão social) e ele teve de deixar de rondar o prédio onde ela morava.
Ele nem soube como ela se saiu no vestibular. Poucos anos depois o prédio onde ela morava foi demolido para a construção de um espigão. Ele pôde acompanhar a demolição passo a passo, fazia parte de seu percurso diário. Achou uma pena, era um belo prédio. Realmente belo.
July 05
|
Alfabeto do Amigo
|
|
Aceita você, como você é. Bota fé em você. Chama-o ao telefone só pra dizer "OI". Dá-lhe amor incondicional. Ensina-lhe o que sabe de bom. Faz-lhe favores que outros não fariam. Grava na memória bons momentos passados com você. Humor não lhe falta pra fazer você sorrir. Interpreta com bondade tudo o que você diz. Jamais o julga, esteja você certo ou errado. Livra-o da solidão. Manda-lhe pensamentos de ternura e gratidão. Nunca o deixa em abandono. Oferece ajuda quando vê sua necessidade. Perdoa e compreende suas falhas humanas. Quer vê-lo sempre feliz. Ri com você e chora quando você chora. Sempre se faz presente nos momentos de aflição. Toma suas dores e evita que o maltratem. Um sorriso seu basta para fazê-lo feliz. Vence o inimigo invencível junto com você. Xinga e briga por você. Zela, enfim, pela jóia que você representa.
Autoria desconhecida |
|